FaceApp: o aplicativo que coleciona virais acumula polêmicas e denúncias na mesma proporção. Entenda as acusações direcionadas à ferramenta!

FaceApp: o aplicativo que coleciona virais acumula polêmicas e denúncias na mesma proporção. A ferramenta foi lançada em janeiro de 2017 pela empresa russa Wireless Lab e está disponível para usuários Android e iOS. Graças a mecanismos da Inteligência Artificial, o app é capaz de transformar fotos comuns de qualquer usuário em versões “alternativas” deles mesmos. 

Em julho do ano passado, o FaceApp foi responsável por um dos principais virais do ano: o “envelhecedor” de imagem. O usuário realizava upload de uma selfie à escolha e o aplicativo mostrava como seria sua feição durante a velhice. A brincadeira se espalhou pelas redes sociais das personalidades anônimas e até das mais famosas. Não demorou muito para que a política de privacidade da ferramenta fosse questionada.

De acordo com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), até julho de 2019, o FaceApp já havia acumulado mais de 150 milhões de fotos de rosto em seu banco de dados. O instituto acredita que as fotografias são utilizadas para aperfeiçoamento de técnicas de deepfake e reconhecimento facial. O FaceApp se defendeu, alegando que, como qualquer outra rede social, utiliza os dados extraídos apenas para fins de anúncio e de aperfeiçoamento da própria plataforma. 

O FaceApp, então, passou a ser acusado de roubo de dados, como fotos, informações da rede social veiculada, modelo de celular, de banda e de resolução, seu histórico de compras, as páginas na qual você navega e até mesmo o tempo que gasta nelas. O fato é que o FaceApp não rouba dados de ninguém: o problema está em aceitar as condições de privacidade e termos de uso sem ler. 

Ao dar check nessas condições, você autoriza o aplicativo a “usar, reproduzir, modificar, adaptar, publicar, traduzir, criar trabalhos derivados, distribuir, executar publicamente e exibir” o conteúdo que você divide com a ferramenta sem necessidade de autorização prévia. 

Outra informação disponível para acesso no termo de uso que chamou a atenção foi o fato de que o FaceApp pode repassar informações para outros países. A cláusula foi associada ao escândalo do envolvimento de inteligências russas na eleição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 2016. 

 

FaceApp: alvo do FBI e do Procon

Em julho do ano passado, um senador americano pediu que o FaceApp fosse investigado. O político solicitou a atuação do Federal Trade Commission, que age na proteção dos direitos dos consumidores dos Estados Unidos, sob a alegação de que o aplicativo era um risco à segurança do país e à privacidade dos usuários. 

Segundo publicação do portal Tilt, do UOL, a investigação constatou que as fotos upadas no aplicativo são enviadas para manipulação em servidores na nuvem. Em postagem nas redes sociais, o senador Chuck Schumer, que deu entrada na inquirição, afirmou ter sido informado pelo FBI que todo produto desenvolvido na Rússia é uma ameaça de contra-inteligência em potencial. O FaceApp, mais uma vez, negou as acusações. 

No Brasil, o FaceApp foi alvo de uma ação do Procon-SP, mas quem “pagou o pato” não foi o app russo e, sim, o Google e a Apple. Com base Código de Defesa do Consumidor (CDC), as empresas foram processadas pelo fato de que o aplicativo era disponibilizado nas respectivas lojas virtuais com os termos de uso, alvo da polêmica, todos escritos em inglês. 

Uma das cláusulas do Código exige que qualquer produto ou serviço fornecido no Brasil tenham suas informações descritas de forma correta e na língua nativa do país, o português. Google e Apple foram multados em, respectivamente, 9,9 milhões e 7,7 milhões de reais. Ainda de acordo com a publicação do Tilt, as empresas ainda não pagaram suas penalidades porque entraram com processos de defesa. 

 

FaceApp: a nova política 

Mesmo diante de todos os escândalos, o FaceApp parece ter aproveitado da memória curta da população e lançou mais um viral: agora, o usuário pode ter uma ideia de como seria sua feição se tivesse nascido do gênero oposto. A empreitada novamente se popularizou e, atualmente, o app é o segundo mais baixado da Google Play, perdendo apenas para o CAIXA Tem. 

Coincidência ou não, o novo viral veio acompanhado de uma nova política de privacidade, lançada no começo de junho; é a terceira em seis meses. Não há muitas novidades: o FaceApp continuará coletando dados, como histórico de navegação e o IP do seu aparelho, e repassando a parceiros e anunciantes. 

Na nova versão dos termos de privacidade, o FaceApp afirma que todas as imagens disponibilizadas no aplicativo serão criptografadas, armazenadas em nuvens e excluídas dentro de um período de 48 horas. Mas apenas as imagens: os demais dados seguem à disposição da empresa. Segundo o Estadão, outra novidade é que o usuário pode alterar as configurações e permissões nos dispositivos, nos navegadores de internet e nas alianças de anunciantes. 

 

FaceApp: considerações

A utilização de dados pessoais não é uma exclusividade do FaceApp. Gigantes como Instagram, Facebook e até Google extraem informações do usuário para gerar algum tipo de inteligência. Segundo eles, isso serve para otimizar os anúncios que são exibidos nessas plataformas, tal como melhorar a experiência de quem as utiliza. No fim, prevalece a confiança que cada usuário estabelece com o aplicativo. 

Caso você não esteja satisfeito com o trato que seus dados possam estar tendo no FaceApp, acesse a aba “Configurações” e entre na opção “Reportar erros e enviar logs”. Em seguida, escreva no campo de mensagens uma frase que indique evidentemente que você deseja que seus dados sejam excluídos. Ao apertar em “Reportar”, selecione o seu servidor de e-mail na janela que irá surgir. No campo do assunto, adicione “Privacy” e envie.  

 

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