Um artigo publicado no The New York Times trouxe discussões muito pertinentes a respeito dos modelos de trabalho no pós-pandemia. Destacamos os principais pontos do texto aqui. Acompanhe!

Inovação no trabalho segue no centro das discussões sobre o futuro corporativo. Pauta constante desde a segunda metade dos anos 2010, os desafios impostos pela pandemia otimizaram muito os debates acerca do tema e aceleraram alguns processos que estavam previstos para acontecer no decorrer da década vigente. 

Basta uma rápida pesquisa para ver a extensa lista de artigos publicados até 2019, que apontam o home office como “o futuro”. Chegou mais rápido do que se imaginava. À medida em que os países e os mercados de trabalho tentam  retomar à normalidade com o avanço da vacinação — a passos lentos, em algumas nações, crescem, também, as discussões sobre qual é o melhor modelo corporativo a ser seguido: trabalho presencial, home office ou trabalho híbrido? 

Existem entusiastas de todos os modelos, fortemente munidos de argumentos que defendem o tipo preferido. A grande maioria das discussões giram em torno de definir qual sistema de trabalho gera mais inovação. É exatamente esse o tema de um artigo escrito pela correspondente Claire Cain Miller para o jornal americano The New York Times. O texto foi publicado na coluna The Upshot. 

Sob o título “Os encontros casuais no escritório impulsionam a inovação? Não há evidências disso”, o texto se debruça sobre diversas modalidades de trabalho esperadas no pós-pandemia e compartilha a opinião de profissionais de grandes empresas a respeito do assunto. A gente traz, agora, os highlights deste artigo para você. Acompanhe! 

 

Inovação e os modelos de trabalho

Segundo o artigo, não há estudos que confirmem uma tese de que o trabalho presencial é “essencial para a criatividade e a colaboração”. Pelo contrário: existem especialistas que defendem que a pressão de cumprir demandas com dias, locais e horários marcados gera muito desgaste. 

Por outro lado, também há as famosas ‘panelinhas’, que, muitas vezes, isolam determinados funcionários e ajudam a inibir o processo criativo de pessoas introspectivas e até mesmo de membros de minorias políticas, como mulheres, LGBTQIA+ e pessoas pretas, que podem se sentir acuados de firmar posicionamento em um ambiente que ainda é predominantemente dominado por homens brancos. 

Como indaga o diretor da Zillow, da Dan Spaulding: “quanta criatividade e inovação foram retiradas do escritório porque você não estava em um ‘grupinho’, não foi ouvido, não foi aos mesmos lugares em que as pessoas em posições de poder estavam reunidas?”

Mesmo com os contextos de trabalho completamente alterados pela pandemia, executivos-chefes de marcas famosas ainda defendem a necessidade do trabalho em um escritório. A reportagem destaca a mudança de posicionamento de Jacqueline Reses, antiga executiva da Yahoo, hoje, CEO da Post House Capital. Em 2013, ela proibiu o trabalho remoto na antiga empresa, sob alegação de que as melhores ideias surgiam “em corredores, em discussões no espaço do café, em conhecer novas pessoas e em reuniões improvisadas”. 

Oito anos depois, ela discorda da própria ideia e defende que os profissionais descobriram “novas e melhores formas de trabalhar”. A reportagem também destaca a posição da pesquisadora de uma universidade californiana, Judith Olson, que tem, por mais de três décadas, o trabalho à distância como foco de estudo. Para ela, as plataformas de videoconferência têm ajudado a reproduzir, de maneira online, os escritórios e, assim, contribuir para a geração de bons insights, mesmo longe do ambiente físico corporativo. 

Para Tim Cook, CEO da Apple, “a inovação nem sempre é uma atividade planejada. Ela cresce entre os profissionais à medida em que ideias que aparecem ao longo do dia são compartilhadas”. Já para Jamie Dimon, da JPMorgan Chase, o home office não funciona para o trabalho, pois “não contribui para a geração espontânea de ideias”. 

A teoria de que as interações espontâneas no dia a dia dos escritórios geram insights revolucionários é defendida nos Estados Unidos desde os anos 1930, mas, segundo o artigo do The New York Times, não existem estudos que confirmem que essas “small talks” (como os americanos chamam “jogar conversa fiada”) realmente são úteis e produtivas para a manutenção de uma empresa. 

O texto apresenta a ideia, defendida, também, pelo CEO da Zillow, de que todo o trabalho obrigatório deve ser resolvido via home office, mas que é muito importante a empresa dispor de um espaço físico para que as pessoas possam se encontrar casualmente, trocar ideias, conversar, ou até mesmo fugir de qualquer eventual estresse remoto. “Acreditamos que os humanos desejam se conectar e colaborar. Mas você precisa fazer isso cinco dias por semana ou pode fazer uma vez a cada três meses?”, finaliza Spaulding. 

 

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